segunda-feira, 26 de março de 2012

Porto Alegre

Em Porto Alegre o mato e as ervas crescem no meio das avenidas, o sol e o céu tem um tom diferente (sem motivo aparente), as ruas são amplas e cheiram a umidade e as luzes da cidade cintilam como estralas...

domingo, 11 de março de 2012

Curitiba em Janeiro- Parte IV (Epigêneses e Funerais)

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Acordei naquele sofá gigante da mansão da Eduarda, eram umas 09:30. Uma janela-claraboia iluminou toda a sala. João tava desmaiado do outro lado. Fui no banheiro e lavei o rosto, fui na cozinha e comi um pão, fui na sala e acordei o João, fui no quarto da Duda e joguei Zelda... Foi uma manhã agradabilíssima, mas tínhamos que sair...
João empacotou o Wii dele e me fez uma proposta! Em nome da nossa amizade e camaradagem, ele me emprestaria (!!!) o Wii e os jogos... Até pensei em relutar, mas aceitei na hora! Amarrei sacolas plásticas na mochila pra aumentar a capacidade de carga.
Tinha marcado de encontrar Lazurte Tagliari e Floriano Magella (Meu Primeiro Amigo de CuriCity), ambos eram amigos meus de longuíssima  data, da época que eu era um nerdão anti-social e fazido-de-vítima. Saí da casa da Eduarda e entrei num ônibus com João! Eu não fazia ideia de quão afastada ficava aquela mansãozinha!
Cruzamos a Cidade de Leminski toda dentro dos ônibus, cruzando aquelas ruas como hemácias no sangue quente!!! A cidade se desenrolava sobre nossos pés e sobre os pneus dos ônibus! Chegamos no Terminal do Cabral e pegamos mais um ônibus pra chegar no Shopping Curitiba encontrar os guris! CuriCity, a maior cidade do sub-trópico brasileiro, uma cidade gigante, de moldes ao mesmo tempo vitorianos e huxleynianos!
Paramos na frente do Xis-Pastel Montanha, um estabelecimento lendário de CuriCity! Foi fundado por um imigrante japonês que teve a genial ideia de fazer um xis com um pastel dentro!!! Até hoje o velho japonês e o filho dele trabalham lá. O mais belo exemplar da culinária underground e de baixo custo curitibana!!!
Infelizmente não comemos lá... Floriano tinha me ligado, já estava no shopping... Saímos correndo até lá!
E que surpresa foi ver como Floriano estava!!! Ele estava BEM mais magro, BEM mais bonito e com um cabelo mais cheio! Estava muito diferente daquele moleque nerd gordo e de topétinho que eu tinha me despedido quando me mudei! Ele continuava inseguro, com um ar triste e assináptico e aquela fala simples de alguém que não sentiu a frialdade do mundo ainda. Foi ótimo reencontrar aquele companheiro de fossas antigas e nostalgias! Conversávamos e matávamos a saudade quando Lazurte apareceu. PUTAQUEPARIU!!! Não reconheci ele de primeira!!! Ele continuava com a mesma cara de gringo polenteiro, mas agora tinha começado a malhar! O que antes era um moleque tão magro quanto eu hoje era um orc, um colossi, um Atlas italiano do interior gaúcho (ele era originário de Ibirubá, que eu me lembre)! Que alegria foi ver aquele povo da velha-guarda! Sentados na mesa do shopping, saí e comprei uma garrafa de coca para alegrar a tarde, além de comprar meu almoço (um bom-bom de amendoim), voltei.
Praticamente como de surpresa, Romana de Lis (A Liberdade Genuína) apareceu!!! Romana era uma guria forte, alta, com um ar de coragem e auto-afirmação impressionante, mas com uma doçura, uma alegria e uma delicadeza rara de se ver hoje em dia! Tinha os cabelos ruivos raspados do lado e estava enrabixada com Háteras Oliveraleves. Ela estava acompanhada de um amigo (provavelmente ex-amante), o cara era praticamente um lorde inglês, com terno, colete e chapéu-coco, tinha o cabelo comprido preso com dois elásticos e unhas muito compridas, era uma figura rara e surpreendente aquele guri!
Eu e Romana tivemos um relacionamento brevíssimo, por mais que tudo indicasse que ela estivesse muito apaixonada por mim... Acho que eu, sim, sou um dos grandes desamores dela...
Vou divertido ver a reação do Floriano ao estar junto aquela gente reacionária, libertária, de roupas estranhas e mentes mais estranhas ainda!!! Tinha começado a chover. A coca foi bebida por completo, as memórias e as experiências de cada um foram jogadas naquela mesa, menos as de Floriano, cuja timidez impedia e de Lazurte, que só dava risada daquela gente maluca! Discuti sobre video-games com o Lorde Inglês e lembrei que tinha que ligar pro Messias!!!
Caralho, eu ia passar a noite na casa do Messias e tinha me esquecido!!! Liguei pra ele, ele estava no serviço. Disse pra eu aparecer as 17:00 na casa do Alexandre, pois ele precisava ir na universidade fazer uma prova de recuperação...
A mãe de Floriano ia chegar, desci com ele na chuva até onde a mãe dele chegaria. Larguei o povo e segui só com ele, pelos velhos tempos. Conversamos aleatoriedades perto da chuva, percebi que meu antigo amiguinho continuava o mesmo. Mas fiquei feliz, percebi que começava a nascer nele sensos de coragem e liberdade! O guri vai se libertar dos próprios fantasmas um dia! A mãe dele chegou, dei um abraço forte nele e me despedi!
Reencontrei o pessoal, mas daí estava atrasado.. Peguei minhas coisas, Flávia e o Lorde se ficaram por lá e eu, Lazurte e João seguímos em frente! Descemos a Buenos Aires e atravessamos a Brasílio Iitiberê, Lazurte seguiu o caminho do apartamento dele, me despedi dele também! Junto com João cheguei na casa de Alexandre. Me despedi de João, joguei minhas tralhas dentro do carro e segui com Alexandre e o Messias até a Universidade Federal do Paraná ouvindo Queen e tentando convencer eles de que eles não iam se atrasar!
Estacionamos, os dois foram fazer as provas. Messias e Alexandre cursavam Contabilidade, mas nenhum deles estava estimulado ou empolgado em seguir no curso, a prova disso é que ambos estavam indo fazer uma prova de recuperação! Fiquei sentado no centro do prédio das Ciências Contábeis ouvindo Arcade Fire no MP-Coiso e lendo Kerouac até que eles terminassem a prova... Os dois saíram com uma cara de bunda, claramente cansados e entristecidos. Junto com eles estava outro guri, um colega de curso deles. Seguímos até um shopping suburbano pra jantar. Meu dinheiro começava a ficar curto... Comi um cachorro-quente e fiquei satisfeito...
A casa do Messias ficava lá perto. Seguimos a pé. Fomos só nós dois, discutindo bobagens pela noite suburbana de CuriCity. Do nada recebo uma mensagem telefônica do Lorde! Uma mensagem muito longa e erudita falando o quão ele tinha gostado de me conhecer... Comecei a achar que o cara era bissexual... Deve ser paranoia da minha cabeça... Messias riu quando leu a mensagem!
Chego no sobradinho geminado da família dele cansado e com os tênis embarrados... Tiro os tênis e lavo-os. Nós dois subimos pra cumprimentar os pais dele. Deu pra sentir que o clima naquela casa não estava dos melhores... Entramos no quarto dele, mas antes ele me obrigou a tomar banho... Ok, ok, fazia 3 dias que eu não tomava banho... Quando se tá viajando, banho é a ultima prioridade...
Tomei banho, me senti um tantinho renovado. Fui denovo no quarto dele, ele tava jogando Uncharted e falando via-computador com a namorada dele, Carolina Bitencourt (Duquesa de Sul de Minas), que morava numa cidadezinha perdida no mapa, Lambari. Nunca imaginei que uma guria tão rara pudesse aparecer numa cidade perdida como aquela! Boa parte dos contatos dela em CuriCity nunca viram ela, menos o Messias. Na época em que FracoFranco viajou pra Los Infiernos me dar um alô, o Messias tinha entrado em ônibus de conexão e ido pra Lambari conhecer pessoalmente a amada dele! Os dois se completam dum modo simbiótico que chega a ser assustador! Mas a simbiose dos dois é uma coisa volátil e variável... Duas vezes já mediei discussões de semi-separação dos dois... Mas essas constantes brigas e troca de farpas parecem ser parte integrante da comunicação dos dois. Como ligações enzimáticas, eles se completam e se ligam do jeito mais torto possível, mas se ligam!!!
Os dois estavam tendo uma discussão boba, resolvi passar os CDs da Karina Buhr e do The Doors do Messias pro meu pen-drive.  A vida do Messias andava triste aqueles dias... Desavenças com a família, decepção no serviço, a escolha do curso de contabilidade cada dia parecia mais errada e o fato dele trancar o curso era só questão de tempo! Era horrível ver aquela alma sensitiva e curiosa sendo obrigada a se jogar em moldes pré-estabelecidos... Mas a essência do Messias era a mesma, continuava jogando video-game, ouvindo música, lendo HQs e valorizando momentos de encontro com amigos.
Conversamos um pouco sobre a vida alheia, sobre literatura e video-game e sobre as antigas aventuras do passado!
A mais de dois anos me comunico praticamente todo dia com ele via computador... Não sei como ele não encheu o saco de mim ainda!!!
Era segunda, amanhã era terça! Era um dia de semana normal, Messias tinha que trabalhar no outro dia. Ajeitei o lugar aonde ia dormir. O Messias dormir. Fiquei um tempo acordado lendo uma revista dele. Um almanaque oficial sobre Zelda! Me inteirei no assunto! Quando voltasse a Ilha do Desterro ia jogar muito Zelda no Wii do João!!!
Daí dormi, sem lembrar que tinha que acordar cedo. Era terça-feira, dia útil...

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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Curitiba em Janeiro- Parte III (Equinócios)

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Domingo, CuriCity, 09:30, frio paracaralho! Metido no moletom que eu tinha levado no mochila fui até o shopping Curitiba procurando por um banheiro, fechado. Era domingo... Segui alguma quadras até algum outro shopping, fechado... Comecei a suar de calor, lembrei da variação de temperatura bizarra de CuriCity... Guardei o moletom na mochila. Fiquei vagando pelas ruas, a mochila pesando nas costas, a luz do sol batendo forte na minha cara, senti novamente a fadiga de vagante.
Larguei mão dos shoppings, fui até um supermercado perto de onde eu morava, o Mercadorama da Praça Ouvidor Pardinho. Fui naquele banheiro decadente. Tirei uma longuíssima faixa de papel-toalha (não tinha papel higiênico lá...)
Aliviado dos meus resíduos metabólicos, resolvi pensar no que fazer. Podia ir na feirinha hippie do Largo da Ordem, mas resolvi ousar. Peguei meu celular e liguei pra Elizabeth... Tuu..tuu..tuu... Ela atende! Que alegria ouvir aquela voz maravilhosa dela!!!
Elizabeth (nas palavras de Lorelai) foi meu grande, quiçá maior, desamor da minha vida! Muito fiz pra impressiona-la, ela me venceu pelo cansaço. Pelomenos ganhei uma grande amiga, uma pessoa que eu tenho confiança plena e admiração profunda!!!
Ela me atendeu, perguntei se podia aparecer no apartamento novo dela. Ela aceitou e me passou o endereço. Desci as ruas do Estádio do Atlético, passei pela reunião de carros antigos (era domingo demanhã), dei uma olhada de fora no meu antigo prédio, a espectral lembrança de eu descendo a rua com meus amigos e falando merda depois da aula... Segui reto mais um pouco. Cheguei na rua dela (que, por sinal, é a mesma rua em que o Alexandre mora...) e procurei o endereço. Me perdi, eu acho. Procurei mais e achei aquele predinho verde setentista, era aquele!!!
Ela desceu, que alegria, que felicidade!!! Lá estava ela, aqueles olhos castanhos e aquele sorriso capaz de amolecer o coração até do mais fleumático dos capitão vernianos! Abracei ela e subimos no apartamento, um apartamentinho lindo, aconchegante e enxuto, onde morava ela, a mãe e a irmã, mas ambas não estavam lá. Soltei minha mochila, coloquei meu MP-Coiso e meu celular pra carregar e ficamos conversando. Conversando muito, por muito tempo, sobre os assuntos mais diversos, dos mais profundos aos mais aleatórios. Resolvi me mostrar um bom visitante e resolvi passar café. Descobri que só sei fazer café forte! Depois de uns erros ridículos no processo, o tal do café ficou pronto. A mãe dela apareceu (Tia Rita, um amor de pessoa), ficou surpresa de me ver depois de tanto tempo! Teve um período antes de eu me mudar em que eu ia muito, muito direto no antigo apartamento delas!
Tia Rita se experimentou meu café, e elogiou. Algo me diz que ela tem uma pira em ver as filhas endireitadas com algum rapaz bacana. A mais velha namora meu antigo professor de música, mas Elizabeth não ta nem ai, e no fundo, no fundo, certa ela!!! O tempo passa e Tia Rita sai denovo. Continua aquela jogação de conversa fora, tanto lindo e tão épico. Graças aos Deuses me curei da apaixonite bizarra que eu tinha por aquela taurina de voz hipnotizante. O senso-comum torto diria que era impossível não ter rolado nada entre dois jovens solteiros sozinhos fechados num apartamento, mas não, não rolou nada e fico incrivelmente feliz e orgulhoso por isso!
Depois de um tempo saio de lá, ela tinha seus compromissos. Agora precisava fazer minhas ligações e ver como seria minha tarde!
Ligo desesperadamente pro João das Interwebs! Depois de uns minutos de negociação convenci ele a ir até o shopping Curitiba! Tínhamos combinado de passar a noite da casa de Eduarda Guanabara (Carioca descariocada). João chegou em meio a chuva, e rapidamente entramos num biarticulado e fomos até o terminal do Cabral. Fomos na casa dele descansar um pouco e pegar a alma da festa, um nintendo Wii! Passei o fim da tarde na casa dele, num subúrbio curitibano perdido e maluco vendo videos de meme, discutindo sobre música, planejando piras futuras e comentando a vida alheia!
O pai dele nos deu carona até um terminal de ônibus que eu não sei onde fica, e de lá encontramos Eduarda e fomos pra casa dela, que eu também não sei onde fica!!! Foi engraçado ver ela depois de tanto tempo! O namorado novo dela tinha mudado ela, pra melhor! Ela parecia mais madura, mas engraçada. Tinha perdido aquele jeito de guriazinha perdida que tenta de tudo pra se afirmar, agora estava segura, feliz e um pouco mais sensata!
Chegamos na mansão nova da mãe dela! Era uma mansão mesmo!!! Uma casa ostensiva, gigante e decorada com um estilo novo-rico bem enxuto! A família dela era legal, a mãe dela era simpática, com umas pitadas de peruísse, o padrasto super receptivo e fã de Pink Floyd e a vó dela, caramba, que avó!!! Parece que a idade só engrandeceu aquela senhorinha que tu julgava ter 17 anos!!! Mas não uma jovem de 17 anos em 1950, mas uma jovem de 17 anos de 2012!!! Vendo sites de memes, vídeos no YouTube, modernizando-se com os tempos. Um exemplo a ser seguido.
Ficamos lá nós três, o antigo trio, como nos velhos tempos. Eu, João e Eduarda, jogando Zelda e Pikmin, falando aleatoriedades e deixando que a inocência de nossas cabeças gerasse coisas imprevistas! Eramos crianças genuínas, e foi tão divertido aquele lampejo de infância!!! Duda insistiu e pagou uma pizza, e que pizza deliciosa!!! Acho que nunca comi uma pizza tão saborosa e tão substanciosa, talvez fale isso pelo jejum da viajem, mas acho que foi porque estava deliciosa mesmo!!!
Ficamos acordados até um bom tempo bebendo Coca e jogando e vendo videos no YouTube. O sono pesou sobre meu corpo...
Explorei a sala da mansão (que era maior que o meu apartamento na Ilha do Desterro!) e subi as escadas. Lá tinha o maior sofá que e já vi na minha vida!!! Um sofá gigante, reto, retangular, geométrico. Sentei nele, deitei nele, dormi nele. Acordei com a Eduarda e o João me sacudindo e mandando eu escovar os dentes. Escovei os dentes, roubei um cobertor e dormi dum lado do sofá, e o João dormiu do outro.
Eu, essa figura torta e comprida coube dum lado. E o João, aquele gigante cabeludo de 1,95 m coube do outro, e ainda sobrou espaço!!!
Dormi profundamente dum jeito que fazia tempo que eu não dormia!!!

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sábado, 11 de fevereiro de 2012

Curitiba em Janeiro- Parte II (Hey, Listen!)

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Acordei maravilhado. Acordei deitado no sofá, eram umas 08:30 . Levantei e para manter o hábito e o vício, passei um café bem forte, pra animar meus ânimos. Agradeci a Thor pela minha resistência natural a ressaca, fui no banheiro e dei aquela mijada amoníaca pós-bebedeira!
Passei manhã e tarde todo o tempo na casa de Alexandre. E foi demais!!! Improvisamos almoço, andamos pelo subúrbio da fronteira do Água Verde com o Rebouças, recebemos visitas, jogamos video-game, compramos coca e pão, vivemos nossas vidas por própria conta, senti o prelúdio do dia de minha independência.
FracoFranco estava lá junto, dormiu no outro sofá. Hoje ia rolar a festa de aniversário dele! Festa que foi o grande motivo de eu ter ido para lá! Mas era detarde e ainda demoraria a nossa carona chegar.
Tentei ligar para Elizabeth Palaciogarcía (Ex-Rainha dos Meus Sonhos), mas ela não me atendeu...
Recebemos informações das caronas! Alexandre levaria a namorada, a irmã dele e uma amiga, além do GagoGazi Johnson (Uma Indelével Marca). O pai de Marvinícius levaria eu, FracoFranco, Barbarela, Rei Filipe, O Messias, além do próprio Marvinícuis.
Nossa caravana parou no terminal do Cabral (que, por sinal, vai ser bem importante nos 'próximos capítulos'). De lá pegamos os ônibus que nos levariam até a casinha do meio do mato do FracoFranco!
Chegamos nas proximidades e pulamos do ônibus pra recolher uma amiga dele, a Saria. Uma guria mágica, uma pessoa que tu não acreditaria que morasse naquele fim-de-mundo, ela foi uma das maiores alegrias da festa!
E seguimos nós saltitantes até a cabana do FracoFranco, a divisão do Alexandre já tinha chegado! E lá estava o GagoGazi, que alegria tive em reencontrar aquele filho-da-puta!
A festa começou!!! Tirei meus calçados, queria sentir o frio do mato de pés descalços). O Messias instalou o PS3 (Deus) em uma televisão e FracoFranco instalou um Nintendo 64 (Jeová) em outra! A nerdice, a eletricidade, a comida e a conversa fluíam maravilhosamente! Alguns acordes perdidos de violão rasgavam a festa, havia coca e vinho e alegria e risadas de todos os lados. A festa se complementou com a chegada de Háteras Oliveiralves (Capitão Sem Brigue) e Tulheco, e esses piratas perdidos traziam rum e mais vinho!!! Fizemos um torneio de Marvel vs. Capcom 3, ganhado pelo Alexandre! Tulheco fez desenhos, estava já embriagado. Resolvi testar meus dotes de cozinha experimental e preparei várias e várias doses de café com rum! Que delícias tava aquele negócio!!
Fomos saltitantes levar Saria na casa dela, e lá estava eu de pés descalços no meio daquela estradinha rural. Era um caminho lindo, era 02:00 da madrugada!!! Conversávamos, riamos, cantávamos, contávamos piadinhas sem-graça (principalmente o GagoGazi!) e pulávamos uns nas costas dos outros! Eramos um bando de crianças descobrindo a realidade do mundo e vendo que a realidade podia ser menos cruel e que nós podíamos ser menos cruéis com nós mesmos!!!
Chegamos devolta a casa. O Messias estava trêbado, eu estava dormindo em posição fetal no canto de um sofá, as gurias tinham ido dormir, e uma galera tava lá acordada jogando Castle Crashers! Acordei com minha perna doendo por ter ficado dobrada e com meus pés congelando no frio e no sereno! Háteras, Tulheco, Rei Filipe, Marvinícius e Barbarela desapareceram, voltaram pra civilização sem eu ver. Me esparramei no sofá, podre e doido...
Acordei rapidamente, com FracoFranco jogando do meu lado, GagoGazi e o Messias conversando. FracoFranco lembrou que tinha que ir para o serviço (trabalhava numa livraria agora!) e Alexandre reuniu eu, a namorada dele, Messias e GagoGazi dentro do carro e lá fomos nós devolta a CuriCity! Nos despedimos calorosamente de FracoFranco e seguimos viajem! Ficamos ouvindo Confraria da Costa e pirando! Largamos o Messias na casa dos pais dele.
Alexandre perguntou onde que eu queria que ele me soltasse. Era domingo, 09:30 da manhã. Não tinha combinado nada com ninguém. Pedi que ele me deixasse na Praça Oswald Crux.
Me despedi do pessoal no frio matutino curitibano e se iniciou o que seria o domingo menos domingo da minha vida!!!

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Curitiba em Janeiro- Parte I (Senza Confini)

Mal parei direito na Ilha do Desterro e o uivo lancinante da Estrada já se fazia perceber nos meus ouvidos! Estava de saída para CuriCity, onde vivi longos e agradáveis 3 anos e meio. Sexta-feira saía meu ônibus. Organizei alguns posos, porém não todos (queria um pouco de incerteza nessa viagem)! Enchi com roupas, livros e comida a velha mochila da Telecom Italia Mobile (Vivere senza confini) da época que meu pai trabalhava lá!
Levantei cedo e fui correndinho até a rodoviária. A viagem foi tranquila, mas cansativa... Paramos em dezenas de rodoviárias microscópicas e ficamos um bom tempo parados na Vila da União! Depois disso teve a subida da Serra do Mar. Ah, que subida maravilhosa! Os morros, a paisagem, a pressão batendo nos ouvidos e a alegria de ver uma imensidão estética e ter a certeza de que perdida no meio desses morros, existe uma cidade onde tu vai parar e ficar por um bom tempo!!! A estrada entre a Ilha do Desterro e CuriCity é linda, muito, muito linda!
Na entrada de CuriCity o ônibus começou a demorar. Um engarrafamento gigante na Avenida das Torres, lembrei que estava indo pra maior cidade do Sul do Brasil! Com 40 minutos de atraso cheguei na rodoviária e sou recepcionado com uma nebulosidade e uma garoa gelada tipicamente curitibana. Estava indo encontrar meu amigo Marvinícius e a namorada dele, Barbarela Satúrnia (Sagitariana Caricata) e tive o prelúdio de o quão cansativas seriam as caminhadas nessa viajem! No caminho encontrei Yurie Oda (Uma Das Mais Doces Filhas do Sol Nascente), foi realmente legal encontrar pessoas sem prever! Encontrei Marvinícius e Barbarela numa livraria e Barbarela parecia outra pessoa! Ela tinha mudado muito dês de a ultima vez que a tinha visto! Fiquei sabendo de uma festa que aconteceria mais a noite, mas não soube responder se iria. Mais tarde encontrei Alexandre Wayne (o Vigésimo Segundo Homem-Murgueço) e o Messias! Estava combinado previamente que passaria a noite na casa de Alexandre, e fomos eu, ele e o Messias até lá. Ficamos um tempinho conversando aleatoriedades, compramos coca-cola e passamos café.
Mas dai um dos eventos mais divertidos e inesperados aconteceu! A festa que Marvinícius tinha falado FOI ANDANDO até a casa de Alexandre!!! Movidos também pelo fato do organizador da festa, Rei Filipe (O Químico Truão) namorar a irmã do Alexandre. Resolvi acompanhar a festa, porém Alex preferiu ficar na casa dele! E QUE FESTA!! Estavam lá Marvinícius, Barbarela, Tulheco, FracoFranco, Rei Filipe e mais um pessoal!!! A festa podia ser interpretada como uma festa surpresa de aniversário pro FracoFranco (por mais que a festa oficial estivesse marcada pro sábado)! A festa do sábado foi a grande motivo que me levou a ir até lá!!! Mas, voltando. Segui com o povo até a Praça do Japão, o lugar mais mágico de CuriCity! Ficamos lá, no alto da noite, bebendo vinho e um destilado maluco com gosto de expectorante e tocando violão!!! Foi um porre memorável! Eu e Tulheco tentando tocar Strokes, juras de amor etílico com o Marvinícius e aquele frenesi beat bizarro! Era o sonho de Kerouac, de Cassady, de Ginsberg e de toda essa Segunda Geração Perdida dos 40/50! A música, a alegria e o frenesi de bons camaradas comemorando o simples fatos de estarem juntos!
Depois de um bom tempo cada um foi pela sua direção! Chego denovo na casa de Alexandre bem mais sóbrio. Comi um pão e bebi uma coca, joguei um pouquinho de PS2 com ele e dormi no sofá. Que delícia é o sono no frio da Serra do Mar a noite!

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domingo, 29 de janeiro de 2012

Antropologia da Ganância Aplicada a Formiformes

No meu período de veraneio em Itapoá resolvi fazer um experimento antropológico, só que ao invés de humanos usei formigas. Com cérebros simples e com os sentidos baseados na troca de informações entre umas e outras, formigas são um modo de entender os humanos sem todo o desafio moral de convencer um humano...
O experimento foi o seguinte: Na casa de meu amigo Manubael havia uma mureta baixa e na frente uma arvore de sombreiro. Peguei uma daquelas sementonas do sombreiro, cortei em 6 partes e deixei encima do muro.
Em cinco horas já havia se formado uma trilha de formigas que corria o muro verticalmente. A semente, feita basicamente de celulose, era de difícil digestão para as formigas e por esse motivo elas se agrupavam, cortavam, carregavam e sintetizavam com tanta insistência aquela semente. Elas sabiam que conseguiriam transforma-la em algo útil, digerível e de proveito tanto da colônia quanto delas mesmas.
Mas repente resolvi por minha teoria a prova. Tirei as sementes e as substitui por açúcar. Sacarose semi-pura e prontinha pra digestão. Em dois toques as formigas param, estatizadas. O Maná da Divindade dos Insetos Apócritas estava lá! O Soma. A Solução MÁGICA dos problemas individuais de sobrevivência.
Em 15 minutos a comunicação bioquímica das formigas havia cessado e elas se aglomeravam aos montes encima da pilha de açúcar. Porém a mudança mais sensível foi o término da fila! Aquela fila comprida, focada e funcional havia desaparecido por completo!
Moral da História:  As formigas agem como os seres humanos. Ao verem um desafio natural, se reúnem e tentam molda-lo da forma mais útil possível. Mas ao chegar uma força artificial capaz de pseudo-solucionar tudo o projeto original e o rumo natural são quebrados. A Fila se desmancha e os espíritos se corrompem. A riqueza, o poder e a ostentação fazem a mesma coisa com o bicho-homem...
Tenho medo de minha própria espécie...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Summer '12

Estava lá eu, enfastiado e meio sem saco na Ilha do Desterro. Havia um tempo em que eu estava me programando, mas era demanhã cedo e meu ônibus em 45 minutos estaria saindo em direção a Vila da União (aquele antro de germânicos mal-encarados). Entrei no ônibus, e começou a tocar Arcade Fire no MP-Coiso que eu tinha pego emprestado da minha mãe. Dado um tempo o ônibus parou numa cidadezinha nas proximidades, e entrou um senhorzinho manco e se sentou do meu lado. Como que por mágica começamos a conversar.
Ele era ex-ferroviário, estava indo visitar parentes em CuriCity, era evangélico, porém incrivelmente simpático. Conversamos sobre a geografia da região, algumas coisas relacionadas e religiosidade, comentou sobre o quão a juventude de hoje é unida, e como o senso de camaradagem hoje aparentemente aumentou muito. Não soube o que dizer, só conheço o agora, não tive a honra da experiência de viver no tempo dele...
O ônibus parou na Vila da União, me despedi do senhor.
Num pulo já saltei num ônibus para Garuva, onde minha carona estaria. A viajem para lá foi tranquila e sem nada de interessante.
Chego em Garuva, e lá estava Manubael, sua mãe e seu irmão mais novo! Manubael, o maior expoente da filosofia psiquiátrica de Curitiba, ex-percursionista d'Os Incapazes e grande companheiro. E que, nesse momento, cedia hospitalidade em sua casa de veraneio para minha pessoa!
Entramos no carro coreano maluco da mãe dele e fomos para a casa dele em Itapoá! Que casa linda era aquela casa! Manubael é um garoto de posses, filho de um grande comerciante do Parolin!
No primeiro dia vadeamos, o mar estava revolto. A noite pegamos a cadeiras e tiver altas piras e siderações na praia sobre aquele magnífico céu noturno Itapoaense! Tivemos o princípio de uma experiência transcendental e até vimos um disco voador!
Segundo dia foi mais divertido, entrei  no mar para matar a saudade. Saímos para dar uma volta naquele carro coreano da mãe dele, estávamos de óculos escuros ouvindo raps bizarros selecionados por Manubael. As pessoas olhavam. Eramos dois gigolôs ricos pirando e ostentando inutilidade. Foi engraçado, realmente. Ao final desse dia bizarro a garota do Manubael, uma alemoinha muito simpática, original da Vila da União apareceu em Itapoá, para alegria e delírio de meu camarada! Além disso, ao final da noite vimos Pulp Fiction.
Nos dias que se passaram a música correu solta. Portugal. The Man, Pink Floyd, Móveis, Stones, Fleet Foxes, Florence & The Machine e muito mais, até roubamos um uísque 12 anos do irmão mais velho playboy do Manubael. Foi realmente um achado aquele radinho USB e aquela garrafa perdida!
Eu e Manubael corríamos Itapoá como dois malucos! Eramos uma dupla bizarra. O Leão e o Abutre! O Leão, grande, forte, nobre, simpático, fleumático, capaz de convencer até o mais desconfiado dos corações e o Abutre, magricelo, torto, com longas e emaranhadas penas pretas pulando de um lado pro outro, gritando, rindo exageradamente. Eramos a dupla perfeita, capaz de discutir eruditamente até o mais fútil dos assuntos!
A viajem se aproximava do final. Estava lendo Dostoiévski e Kerouac. Começava a sentir saudades de casa. Puxamos assunto com as vizinhas do lado. Eram três garotas muito simpáticas, porém meio burrinhas. Eram engraçadas, foi legal conversar com elas.
Era sábado, meu ultimo dia lá. Comprei as passagens para Garuva. Joguei Zelda com o irmão caçula dele! O tempo rolou e o sol apareceu. Resolvemos ir na praia pela ultima vez. Entrei no mar. Nadei fundo. Fui pego por uma corrente! Apesar de nadar com destreza, fiquei preso, céus!!! Comecei a nadar para frente, com boa parte de minhas forças. Não saia do lugar!!! Tentei ver a profundidade, era fundo demais! Continuei nadando, e parecia que o tempo tinha parado! Era só eu, fazendo um esforço inútil para me livrar dos cabelos de Sedna e dos braços de Poseidon! O Mar ia me engolir, minhas carnes seriam diluídas no iodo do Oceano Atlântico! Força Vítor, tu consegue. "O mais importante não é ser forte, mas sim se sentir forte!", McCandless já falava! Nadei mais, pude sentir a areia sobre meus pés! Conseguia caminhar, mas cada onda que vinha me derrubava como se eu fosse um pequeno inseto! Mas consegui me arrastar até terra firme!!! Cai deitado da areia! Estava vivo!!! E, apartir deste dia, decidi nunca mais enfrentar o Mar despreparado!
Dormi como uma criança nesse dia.
Era domingo, tinha que pegar a estrada. Lá estava eu, mochila e violão nas costas (foi a primeira vez que levei violão em mochiladas...) entrando em um ônibus para Garuva. Cheguei em Garuva as 13:30, e teria que esperar lá até as 17:10... Estava chovendo lá. Fui no banheiro, bebi água, conversei com dois andarilhos e dei uns trocados para eles. Resolvi subir um morrinho que tinha por lá. Subi e peguei uma pedra, que hoje guardo como troféu!
O ônibus atrasou um BOM tempo. Só chegou 17:40! A viajem foi tranquila. Cheguei novamente na Vila da União. Fui correndo no guichê da viação para entrar no primeiro ônibus para Ilha do Desterro, e meu pedido foi atendido. Meu ônibus sairia as 19:10. Resolvi explorar aquela cidade, terceira maior do Sul do Brasil. Estava com fome! Achei um bar de alemães a umas 3 quadras da rodoviária. Consegui comer uma paçoca de amendoim incrivelmente substanciosa por apenas 50 centavos!!!
Meu ônibus saiu. O problema é que era um pinga-pinga! Tudo quanto buraco semi-urbanizado que passava o ônibus parava. A viajem foi cansativa, eu estava cansado. A viajem foi longa, senti a mesma sensação de eternidade sofrida e interminável que eu tinha sentido no meu princípio de afogamento! Minha mochila cheirava a mar e peixe, meu cabelo já tinha gosto de sal, minha barba coçava, minhas unhas estavam sujas e enormes, tinha areia no pescoço e atrás das orelhas!
Cheguei em Florianópolis as 22:00 e alguma coisa!!! A viajem que, de carro, demoraria 3 horas se transformou numa epopéia de 10 horas!  Estava cansado, mas em casa.
Tomei um banho, coloquei a mochila para arejar, fiz a barba e cortei as unhas e me preparei um pão com ovo.
Estava devolta em casa depois do mais louca veraneada da minha infante vida

(Ôô seu moço, do disco voador, me leve com você, pra onde você foooooooor) -Raulzito