segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Nova Parceria

Por meio deste post venho aqui avisar da parceria com o blog Trubiscos Rabiscados!

Este blog de divulgação dos desenhos de Marcela Müller, desenhista curitibana e uma das pessoas mais mágicas que eu já conheci!

Ah, para uma amostra de um dos trabalho dela, um retrato que ela fez de minha ilustríssima pessoa!


(Perdão a resolução da câmera...)

domingo, 23 de setembro de 2012

5100200798

Sentado na mesa com frio nos dedos Rigotti escreve.

Rigotti acha que sabe escrever. Rigotti gosta de andar de bando na rua. Rigotti é vegetariano. Rigotti tem medo de Florianópolis. Rigotti tem medo de não ter amigos. Rigotti gasta o pouco dinheiro dele com livros e videogame.
Rigotti lê livros que ele não gosta. Rigotti é sustentado pelos pais. Rigotti não trabalha. Rigotti faz vestibular pra Ciências Biológicas no fim do ano.
Rigotti se mudou com 11 anos de Porto Alegre. Rigotti se mudou com 15 anos de Curitiba, e tinha 15 quando se mudou de Maringá. Rigotti acha que sabe dirigir.
Rigotti escuta indie-folk quando tá frio. Rigotti escuta Radiohead, Los Hermanos, Mutantes, Bob Dylan, Rolling Stones e Sonic Youth quando não tem nada pra fazer. Rigotti lava louça ouvindo White Stripes. Rigotti não toca acordeon a mais de meses. Rigotti tem saudades. Rigotti toma chimarrão.
Rigotti morre de saudades. Rigotti já foi russeauniano. Rigotti tocando acordeon com os amigos na Praça do Japão. Rigotti tenta deixar a barba crescer. Rigotti tem o cabelo comprido, sabe que está feio e, mesmo assim, não corta. Rigotti escuta músicas e fica com saudade de Curitiba.
Rigotti é 68,75% italiano, 12,5% português, 6,25% índio, 6,25% negro, 6,25% alemão.
Rigotti se apaixona platonicamente. Rigotti se sente sozinho, sempre. Rigotti não tem namorada. Rigotti teve uma namorada maluca que não aguentou ele. Nenhuma guria amou Rigotti como Rigotti gostaria que amasse. Rigotti aparentemente não é digno da companhia de uma guria. Rigotti tem saudades de antigas paixões platônicas.
Rigotti não sabe escrever nada que não seja auto-biográfico. Rigotti bebe cachaça 51 e acha que isso é realmente uma boa ideia. Rigotti tem uma garrafa de cachaça 51 escondida encima do roupeiro mas nunca toma. Rigotti não fuma cigarro careta porque não tem dinheiro pra isso. Rigotti não fuma maconha porque não conhece ninguém que venda. Rigotti não quer mais entorpecer o corpo. Rigotti já quis ser budista. Rigotti está virando asceta.
Rigotti joga videogame. Rigotti passa o intervalo sozinho na biblioteca do colégio lendo Kafka e Bukouski. Rigotti acha que vai entrar em desespero. Rigotti já gritou no meio da rua sem motivo. Rigotti é um jovenzinho deslumbrado pelas artes e pelas ciências. Rigotti não acredita em espíritos, energias superiores nem no Deus Pai que está no Céus. Rigotti não acredita no fim do mundo
Rigotti quer viajar de mochilada. Rigotti tem certeza de poucas coisas.
Rigotti tem certeza da morte. Rigotti tem certeza da maldade do mundo. Rigotti tem certeza que Beatles é a melhor banda do mundo. Rigotti tem certeza de que a Esquerda é a melhor opção política. Rigotti tem certeza que vai lavar louça a vida toda. Rigotti fala sozinho lavando louça.

Rigotti se vê velho. Rigotti se vê velho. Rigotti se vê velho com uma bela barba branca e com os cabelos brancos armados. Rigotti se vê velho lavando louça com frio ouvindo indie-folk. Rigotti se vê velho em um apartamento lavando louça. Lavar louça é a única certeza do Rigotti.

Rigotti mora sozinho nesse apartamento? Provavelmente sim...

Rigotti, Rigotti, olha o ponto que tu chegou...



segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Suspiros pelas Ruas

Triste anda eu. Eu triste de mochila nas costas com frio de noite em Curitiba. No concreto limpo da Avenida Iguaçu, bairro Água Verde. Estava triste.
Mas me lembrei dum sábio japonês, que andava pelas ruas de Maringá. Lembro que um dos seus clichês era abaixar a cabeça, passar a mão nos olhos fechados de oriental, soltar um longo suspiro e falar um definitivo "Ai ai, é a vida...". Um dia ele fez isso no asfalto artificial e novo da Avenida Tiradentes, Zona 1.
Lembre dessa cena e ri. Aceitei minha condição, percebi o quão estúpido eu tava sento e plagiei a atitude do sábio. Olhei pra cima enquanto o vento noturno gelado de Curitiba jogava meu cabelo pra trás e falei a definitiva frase. "Ai ai, é a vida..!"

Devolta rotina normal. Ando perdido nas ruas estreitas de Florianópolis. O sol aparece mais forte, o inverno está acabando. Descendo uma lomba em meio a obras públicas abaixei a cabeça, senti o fedor da maresia e da multidão e suspirei. "Ai ai, é a vida...".

Isso foi na Rua Jerônimo Coelho
no Centro

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Decadência

Esses ultimo meses tem me feito mal, muito mal.
Nunca fui muito de me valorizar. Nunca dei crédito as teorias da auto-estima, sempre acreditei na minha insignificância em meio aos homens e em meio ao Mundo e a sociedade. Meus trunfos se valoravam em uma meia duzia de conhecimentos que eu buscava incessantemente. Ainda busco, mas não sei mais falar.
Eu não me comunico mais como antes. Agora vem a vergonha, o medo da insignificância, a falta total de dialéctica e articulação frasal. Citações perdidas, gritos de desespero, tiques vocais repetidos incessantemente, vícios de linguagem, silêncios inoportunos. 
Os outros sempre tem mais a falar, eu sempre tenho mais é de ouvir. Aceitar as ideias alheias, achar coisas boas até nas mais podres latas de lixo. 
Não sei mais falar pela boca. Minha língua, laringe e garganta arranham, meu cérebro pena pra encontrar as palavras certas na hora certa, meus pulmões sufocam com as batidas sangradas de um coração coberto de cicatrizes e silêncios sufocados. E isso que ele ainda está bem jovem...
Só me resta falar pelos dedos. Pelas letras. Um amigo meu uma vez me disse que eu deveria me assumir escritor. Mas eu não sou escritor, escrevo para desabafar. Escrevo pra falar o que minha boca não consegue falar, por medo, vergonha ou preservação da ordem vigente. 
Minha decadência se reflete em mim. Acordo tarde, estou fedendo, ando pela casa morto coberto em moletons, nem sei mais como que está meu cabelo, só sei que está grande...
Todos meus amigos estão pareados, correspondidamente apaixonados. Todos belamente acompanhados na Praça Oswaldo Cruz, na Praça do Japão. Ele junto dela, ele junto dela, ela junta daquele, e eu... Eu lá. Eu sobro. Eu sempre. Todos juntos e felizes e eu parado, escorado. Meus cabelos enroscam nos galhos das arvores. Não tenho força pra preservar nem eu mesmo.
Como eu jovem posso me sentir tão cansado?
Algum sábio chinês falou que depois do ápice só se segue a decadência...

Céus, como se explica uma decadência que nunca teve um ápice...

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Feridas e Caminhos

Sexta-feira. Ultimo dia de aula antes do recesso de Inverno. Hoje estreia o melhor filme do ano.
Lá pelas quatro horas saio de casa. Boina na cabeça, jaqueta e sapato social. Sim, hoje era um acontecimento importante.
Antes disso passei no colégio devolta. Tinha uma duvida que precisava ser sanada. Bem, digamos que a duvida foi devidamente respondida... Agora duas semanas de consciência tranquila podiam se apresentar!
Saio na rua. Florianópolis, oh Florianópolis. Ilha lindíssima, com toques bizarros e nome de ditador!
Chego na artéria coronária da cidade, a monstruosa Avenida Beira-Mar. O filme do On the Road ia passar na estreia somente num shopping lá longe, me avisaram q era no final da Beira-Mar...
Fui caminhando reto. Semana que vem vou pra Curitiba, preciso aquecer minhas pernas.
Fui caminhando lento. Vendo toda a extensão da Beira-Mar. As praças, as velhas caminhando, as não-tão-velhas querendo perder as pelancas, os casais. Fim de tarde de sexta-feira, até que tinha pouca gente lá. O panorama da Baia Norte, os morros, o mar, as praças. O fim-de-tarde-quase-noite...
Passado um tempo eu passo por um mangue na margem da avenida. Como que eu nunca vi aquele mangue gigante ali??? Olinda? Recife? Que nada, tinha um mangue caricatamente pernambucano numa das zonas mais movimentadas de Florianópolis e eu nunca percebi!!!
Anoitece, ficou frio. Passei o terminal do Trindade. Acho que nunca caminhei tanto ininterruptamente em trecho urbano... Apesar de estar de sapato social, mas sinto meus pés doerem.
Chego finalmente no shopping, compro meus ingressos. Sento num banco depois pra ver como meu pés estão. Contagem: duas bolhas, uma no garrão esquerdo e outra num dos dedos do direito. Até que foi pouca coisa...
Fui o primeiro a entrar na sala de cinema. Ir pro cinema sozinho é uma coisa tão estranha e ruim... (ainda mais com uma pessoa na cabeça)
O filme começou. Não vou aqui fazer critica nenhuma mais completa. Só digo que, apesar das falhas e da omissão de certas partes, ficou um filme bem fidedigno ao livro!
Termina o filme. Saio da sala de cinema e vou refletir na rua...
Acho que por isso nada comigo da certo. As coisas não dão certo porque elas não terminam. Acho que não gosto do ponto A ou do ponto B, mas sim de ir do ponto A ao ponto B sem nunca chegar no ponto B...
Nossa, tou pirando errado. Nessas horas que o Japa faz falta! Alguém pirando errado e vendo filmes com pira errada! O Japa é o unico beatnik puro atual que eu conheço!
Frio na rua, cabeça cheia. Meu pai chega pra me dar carona no heroico Voyage azul-tampa-de-panela.

E as luzes da cidade queimam, queimam como candelabros romanos durante a noite!

terça-feira, 19 de junho de 2012

Apagado

De que adianta?
Alguns bons anos de existência respirante na Terra e nada. Não apto a atividades que requerem envolvimento profundo, dedicação ou sangue frio relativo.
Tu vai se feliz com ele! Sim, sim, sim. Vocês dois formam um belo casal! Mentiras pra mim mesmo, mim mesmo, mim mesmo. Uma vez foi assim. Duas vezes foram assim. Agora, meus estimados irmãos, a terceira...
Sempre se há outra opção. O guri é imaturo, não tem sangue nos olhos, sangue nas guelras, sangue nas veias. O guri não reage quando agredido. O guri fica culpado por querer as coisas. Como alguém que não se valoriza vai me valorizar?

Apagado, inerte, bosta n'água. Minhas feridas não amarelaram, não vão sarar. Estou subindo as paredes e gritando às brisas da maresia no meio da rua!

Não nasci pra ver o mundo pegar fogo...

Ela vai ficar bem com ele. Nunca vou fazer bem a uma mulher mesmo...