quinta-feira, 6 de junho de 2013

Jápeto e Climene


-No gramado de um campus universitário de Porto Alegre no final do outono um jovem casal está abraçado e tranquilo, até que o silêncio é interrompido por um deles...-:

-Ai, ai..., disse ela após um longo suspiro.
-O que?
-Não, nada, esquece...
-Guria, eu conheço esses "aí,ais"!
-Não é nada, já disse. (ela ri de leve)
-É sim, é sim! Esse é um daqueles "ai, ais" que vem do fundo da alma. Esses "ai, ais" são os que nos aproximam de Atlas!
-Hã? 
-Atlas! O semi-titã da mitologia grega, que carregava o Mundo nas costas! Olha, pensa, nós também carregamos nosso Mundo nas costas, só que nós carregamos a ideia de existir (que é tão grande quanto o Mundo...). Atlas devia em alguma hora se sentir cansado e desejar não carregar o Mundo nas costas, e nesse momento ele deveria soltar algum gemido de lamento e tentar acomodar melhor o peso nas costas. Esse teu "ai, ai" é basicamente o teu Atlas lamuriando e tentando acomodar melhor o Mundo dentro de ti!
-Nossa, faz sentido isso! 

-Retoma-se o silêncio, até que alguns minutos depois ele é quebrado, desta vez pelo rapaz, que após um longo suspiro disse, Ai, ai...- 

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O Primeiro Frio

Não adianta, o Frio sempre volta.

As terras podem mudar, os quilômetros avançar, mas não adianta, algumas coisas não mudam nunca.
Perdi meus cabelos, mas não perdi minhas certezas. Não perdi nem as certezas que eu desejaria perder.
Aqui estou eu novamente, conversando comigo mesmo pelos dedos em um teclado QWERTY e ouvindo as mesmas músicas tristes. As canções tristes devem ser as primeiras canções que os bichos Homo sapiens devem ter começado a cantar. O uivo dos lobos, o assovio dos ventos por entre as folhas das arvores, os pés descalços gelados e sujos no chão. A Solidão.
A Solidão é onipresente, só é esquecida por nós as vezes. A Solidão tem efeitos estranhos. Acho que minha solidão se uniu aos meus ossos. Minha solidão está impregnada na minha pele, nos meus pelos e poros, nos meus pulmões e músculos e ossos.


Daqui a algum tempo tu vai me encontrar e eu só vou estar querendo sossego. Tu vai me encontrar com a mesma cara, e as pontas dos meus dedos vão continuar geladas. As pontas dos meus dedos sempre são geladas, mesmo enquanto eu tomo meu chimarrão ou meu chá preto. Tu vai me encontrar ouvindo as mesmas músicas tristes, de boina, barba e cuia. Tu vai me encontrar e eu já vou ter aceitado minha solidão. Tu vai me encontrar e eu vou estar em casa, agasalhado, ouvindo as mesmas músicas tristes e com as pontas dos dedos geladas. Meu coração gelado? Meu coração nem mais sinto, mas acho que ele perdeu um pouquinho o gosto em se aquecer...

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Dormindo a 90 Km/h

Ida:
Nos tempos dos meus 12 anos eu viajava de madrugada com meus pais e via um prazer especial em ver o sol nascer na estrada.
Esses dias estava fazendo o tradicional trajeto Porto Alegre-Florianópolis e meu ônibus tinha previsão de chegar às 6 da manhã do outro dia. Fiz a viajem toda olhando para a janela esperando o sol nascer. Podia ser 2 e meia da manhã mas eu vasculhava o céu procurando alguma claridade. Não sairia do ônibus até que o sol nascesse.
Cochilei no banco e acordei, vi que eram 4 da manhã. Cochilei mais um pouco, acordei e ainda era noite. Olhei pela janela e lá estava a Via Expressa em São José... A Ilha estava próxima. O ônibus atravessou a ponte, estacionou na rodoviária eu saí. Caminhei brevemente pelas ruas da Ilha no final da madrugada e não vi o sol nascer na estrada.

Volta:
Retornando para Porto Alegre depois de passar 3 dias na Ilha. Entro no ônibus e o motor à diesel de 200 cv começa e roncar e manobrar a saída da rodoviária. Voltaria para Porto Alegre ouvindo David Bowie e Band of Horses.
Dediquei a viagem à olhar as paisagens denoite. Vi a ponte enferrujada da Ilha, a ponte enferrujada de Laguna, as lojas de departamentos de Imbituba fechadas, os lagos perdidos que ficam entre a fronteira dos estados, as luzes vermelhas que piscam no topo dos cataventos das turbinas eólicas de Osório.
Mas dentre todas essas paisagens uma me deixou perplexo...
Nas alturas de Criciúma olho para um gigantesco espelho d'água! Um espelho d'água gigantesco, cheio de canais e reintrâncias refletindo o brilho forte e cálido de uma lua recém-minguante. Olhava maravilhado aquela luminosidade brotando do chão e me perguntava que formação geográfica era aquela. Continuei olhando, e aqueles espelhos retangulares de luz borrada se seguiam. Eis que finalmente percebi o que eu estava vendo. Os espelhos d'água eram o alagado de plantações de arroz, e as reintrâncias que formavam os quadrados eram os canais de irrigação!
Naquele momento eu vi beleza numa coisa simplíssima e banal (onde já se viu arroz ser raro em Criciúma), vi beleza num fenômeno comum e normal, mas naquele momento eu vi Deus no arroz. Pois é, acho que agora eu entendo o porquê de algumas culturas orientais endeusarem essas graminhas aquáticas do gênero Oryza... 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O Homem no Seu Estado Primitivo

A muito tempo eu não me senti tão vivo quanto naquele dia.
Era uma madrugada de verão no norte da Ilha de Santa Catarina. Um pessoal estava reunido bebendo rum, eu estava lá graças ao convite de um amigo. Eu sentado no chão ouvindo um grupo tocando um mini-acústico, uma cena linda. 
Num determinado momento o dono da casa solta a ideia de irmos à uma praia próxima. Lá fomos nós ver como era. Tínhamos que caminhar um tempo por um mato próximo até chegarmos na praia, ofereci a mão à uma garota que estava conosco.  Caminhávamos em fila sobre a terra instável, por entre as árvores, os olhos se acostumando com a falta de luz.
Sentimos a areia, vimos o mar ao longe. Estávamos lá!! O mar em nossa frente e um céu absurdamente estrelado sobre nossas cabeças. Não pensamos duas vezes, todo mundo se pôs em roupas de baixo e se atirou na água! Saí do mar sozinho e percebi que a garota com quem tinha feito a trilha de mãos dadas estava se afastando do grupo.
Corri atrás dela, ver se algo tinha acontecido. Trocamos uma meia dúzia de palavras. Me lembrei de meus longuíssimos momentos de solidão e de que pelo menos uma vez na vida eu teria de honrar minha arianísse, pelo menos uma vez na vida eu deveria fazer uma coisa sem levar em conta as consequências. Olhei fundo nos olhos dela, passei a mão por trás dos cabelos e a beijei. Foi o beijo mais inesperado, fulminante e arrebatador da minha vida toda! Voltei a lembrar que escorre sangue nas minhas veias. Voltamos separados, nos iludindo que isso faria com que o pessoal não desconfiasse.
O tempo passou, o grupo começou a preparar uma fogueira. Nesse meio tempo eu e mais três caras do grupo resolvemos voltar. Segui o pessoal, sem olhar pra trás, e até agora me arrependo de não ter me despedido da garota. Lá fomos nós quatro, caminhando pelo mato, cantando músicas de bandas novas e antigas. Eu de cabelos soltos e pés descalços, com os olhos calibrados à pouca luz da madrugada, as arvores, o ar limpo, as incontáveis estrelas no céu. Voltamos por um caminho diferente, seguindo a única luz elétrica que vimos à distância. Depois de um tempinho de caminhada chegamos em uma rua urbana, tínhamos chego!

Essa combinação de voltar de porre, de entrar no mar de madrugada, de beijar alguém e de andar no mato no escuro me fez lembrar de muitas coisas. Me fez lembrar da minha condição de primata, me fez sonhar com as arvores e com os bichos que estavam a minha volta e com o bicho que eu era. Me fez lembrar que a vida é grande e bela, me fez lembrar que o mundo às vezes é bacana com a gente, me fez lembrar de que sou homem. Senti que as solas dos meus pés estavam mais grossas, que o sangue seguia firme por mim, que não tinha sede ou fome ou medo, que o escuro agora estava claro e que aquelas arvores eram a melhor moldura do mundo.
Finalmente entendi aquilo que os russeunianos chamam de Ser Humano no Estado Natural. Lembrei que ser um chimpanzé sem pelos e bípede não é lá tão ruim assim!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Aos Ciganos Pós-Modernos

Acho que me desacostumei com a ideia de viver muito tempo no mesmo lugar.
Minha família mudou de cidade muitas vezes em um determinado período de tempo. Me vi pular de cidade em cidade com rapidez estafante. Agora me preparo para mais uma!
Agora vou eu sozinho, voltarei pra terra onde nasci, Porto Alegre. Porto Alegre, Porto Alegre, a Joia do Guaíba, a metrópole decadente que hoje vive as glórias do seu antigo passado. 
Voltar para lá me faz lembrar que sou gaúcho. Me faz lembrar que ser gaúcho não é somente beber água quente com erva moída e conjugar os verbos de modo diferente. Ser gaúcho é fazer evocar antigos sons do passado que ecoaram por todas aquelas terras, é ver que o ambiente pode mudar teu modo de pensar (na real acho que me uso do bairrismo só pra me encontrar em alguma identidade nacional ou alguma coisa do gênero).
O povo gaúcho é bruto entre os brutos e fino entre os finos, e o clima gaúcho vai do frio extremo no inverno ao calor escaldante no verão. Esses dois fatores fazem do gaúcho um espécime muito adaptável, tanto que existem gaúchos espalhados pelo Brasil todo em grande número. Mas o que todos esses emigrantes tem em comum é um desejo de voltar para debaixo do céu azul do Rio Grande. Muitos, de fato, voltam. 
E eu estou voltando! Meus planos indicam uma estadia de aproximadamente cinco anos, o tempo de concluir meus estudos e me iniciar nos caminhos da ciência. 
Cinco anos em Porto Alegre, e depois?
Depois só o Destino dirá! Unica certeza que tenho é que não morarei mais lá! Peguei gosto nessa arte da estrada! Motores a combustão interna, fibra ótica e satélites me fazem ver que o mundo pode ser um pouco menor do que os quilômetros que separam os corpos. O mundo é grande e eu ainda sou jovem, e daqui a cinco anos continuarei sendo jovem. 
Talvez volte ao litoral catarinense, talvez volte aos planaltos do Paraná, talvez me embrenhe nos rincões mais perdidos do Rio Grande, talvez seja um lugar totalmente novo. O mundo é grande, grande pra caralho.
A mudança não é uma fuga, mas sim o destino natural dos povos pós-modernos.
Ironicamente, 7.000 anos de vida sedentária resultaram numa sociedade que pode comportar o nomadismo sem nenhum problema!


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

As Paredes Falam

-"Andamos Muito Parados", diz um muro de Florianópolis

-"Porque não se revoltar se o grande prejudicado é VOCÊ?", diz o muro de um posto de saúde de Florianópolis

-"DEU$ NÃO EXISTE!", diz o muro de uma grande igreja no centro de Porto Alegre

-"Abaixo a Ditadura da Estética!", diz o muro de um salão de beleza em Curitiba

-"O Povo Unido Governa Sem Partido", diz um muro de Curitiba

-"Viva a Heroica Resistência do Povo Iraquiano!!", diz o muro das Escadarias da Borges, em Porto Alegre

-"Carne é Crime", diz o muro próximo a uma churrascaria em Curitiba

-"Fome é Foda", é o que diz o mesmo muro próximo da mesma churrascaria de Curitiba

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Pequena (Releitura por Vitor Mateus Rigotti)

(Segue aqui um projeto que eu nunca tinha tentado antes. Fiz a releitura de um texto já escrito! O texto original é de autoria da escritora e estudante paranaense Lorena Gonzales, e caso queiram comparar o link está aqui http://acerejadotopo.blogspot.com.br/2012_01_01_archive.html  )


-"Quero ir pra Floripa. Me leva pra lá?" -Foi isso que ela me disse logo no momento que acordou.
-"Levar pra onde?" - Foi o que eu respondi, sem prestar atenção.
-"Floripa, Florianópolis, capital de Santa Catarina, você sempre falou de lá, e todo mundo fala que lá é muito bonito! Quero conhecer, e quero ir com você!"
Ela me falou isso enquanto levantava da cama. Sentou-se nos lençóis, vestindo a parte de cima do meu pijama. Aquela visão me deixava maravilhado e eu me esqueci do que ia fazer.  Ela estava linda, ela era linda. Não conseguia acreditar como ela, tão bela, estaria junta de um velho como eu. Ela sempre acordava depois de mim.
-"Ai, que silêncio nesse quarto. Não é você que sempre diz que a casa só está viva quando tem música e blablabla?!"
-"Tu nem sabe o que que tem pra ouvir. Mas tá, vou pegar um CD aqui. Tem um do Cure, serve?"
-"Cure é aquela banda oitentista do cara dos cabelos zoados? Minha mãe ouvia isso, nossa. Pode ser!"
O baixo da The Kiss começou a estourar e eu me levantei para passar o café. Ao entrar na cozinha coloquei o café na cafeteira, bebi um martelinho de cachaça. Olhei pela porta e vi ela já de pé, olhando pela trigésima vez minha estante de livros. Perguntei de longe se ela queria café, ela respondeu que sim com um gesto, olhando vidrada aquela estante empoeirada.
Só uma vez ela acordou antes de mim. Foi horrível, estranho. Ela estava sentada na cadeira, me vendo acordar. Eu estava particularmente feio e amassado. Tentei ler a emoção que irradiava daqueles olhos verdes semi-cerrados, e entendi de primeira. Ela sentia pena! PENA!! Única explicação plausível para ela ter caído no papo de um velho fodido como eu.
Ela não era a mulher mais inteligente, nem a mais letrada, mas era sedenta por conhecer coisas novas. Era para eu ter medo disso, mas não. Justamente isso que me atraiu. Lembro perfeitamente de como conheci ela. Lembro de estar andando por uma livraria comprar seilá qual livro. Reparei que alguns livros meus estavam nas estantes principais. Do nada ela me parou no meio dos corredores da livraria e disse que adorava minhas obras. Nesse instante percebi que ela nunca tinha lido um livro meu, no minimo tinha lido alguma critica de algum blogueiro amador dizendo que eu era alguma espécie de Bukouski brasileiro ou alguma bobagem infundada dessas. Disse que se chamava Isabel e eu a convidei pra jantar.
O tempo passou e eu descobri que ela não se chamava Isabel. Também descobri que ela não tinha 26 anos e que não era formada em jornalismo. Ela era querida, ela era tudo o que eu precisava. A Vida tinha me ensinado a não confiar em relacionamento nenhum, e meu coração já está muito velho para essas coisas. Nós passávamos juntos as noites abafadas da segunda maior cidade do Paraná. Ela falava de todas as coisas bobas de mulher dela, falava da decoração decadente do meu apartamento, falava empolgada de filmes, falava mal das musicas que eu ouvia, falava dos livros na minha estante. Perguntava sobre a vida de cada um dos autores de das obras, pegava alguns emprestado as vezes.Ela falava demais, falava de tudo, apesar de muitas vezes eu demonstrar desinteresse. Falava empolgada da sua juventude em alguma cidade interiorana que eu nunca lembro o nome, falava dos seus sonhos da época de menina, falava dos sonhos da época de menina que ela já tinha realizado. Ela também falava que gostava do meu café.
Olhei ela de longe, lembrei dela passando as mãos pelos cabelos curtos pintados de vermelho. Adoro quando ela fazia isso, era uma cena digna de filme. Passei as mãos nos meus cabelos grisalhos só pra me lembrar da sensação daqueles finos dedos jovens acariciando minha cabeça despreocupadamente.
O café ficou pronto, levei uma xícara para ela. Ela estava sentada na minha cama, folheando um livro do Jack London, cantarolando a Just Like Heaven -"eu conheço essa música!", -ela me disse. Entreguei a xícara para ela na cama e fui beber meu café escorado na janela. Olhava o pouco movimento urbano de uma manhã de sábado, ai ai, a cidade, a cidade. Quando me levantei ela já não estava na cama, estava de pé com um dos meus livros na mão.
-"Quando que eu vou aparecer em um desses?" -Ela indagou com uma seriedade que ela nunca tinha demonstrado antes.
-"Como assim aparecer?! Não se faz coisa nenhuma forçada na literatura!" - Respondi surpreendido.
-"Tá certo, tá certo! Se eu não vou aparecer tão cedo, só quero te pedir uma coisa... Você consegue me ensinar a escrever?"
-"Ai garota, as coisas não funcionam assim! E tu sabe disso..."
Ela ficou quieta, olhando para baixo. Tive a terrível sensação de ter quebrado alguma coisa nela. Ela não falou comigo o dia inteiro, mas ficou no meu apartamento, comeu o almoço insosso que eu preparei. O dia todo ela ficou quieta e lendo aquele livro fino do Jack London que ela tinha pego da minha estante. Volta e meia me perguntava alguma coisa sobre ele "O cara que escreveu esse livro foi pro Alasca mesmo?", "Como que o cachorro sente as mesmas coisas que o dono que ele arranja no final?".

Ao cair da noite preparei um outro café. Dessa vez era ela quem estava escorada na janela. Eram umas 22 horas quando ela terminou de ler a ultima página do livro. Ela gentilmente o pôs de volta na estante, pegou a bolsa e calçou as sapatilhas. Andou até a sala e olhou profundamente para mim. Me senti atravessado por aqueles olho verdes. Os olhos dela nunca estiveram tão bonitos e tão hipnóticos. Me olhando de cima para baixo, ela me dirigiu a palavra:
-"Vou sair, talvez eu não volte!" -Ela falava com a mesma seriedade que tinha demonstrado de manhã.
-"Ai, ai. Sempre soube que ia escutar isso mais cedo ou mais tarde." -Nesse momento percebi que tinha perdido ela pra sempre....
Ela se aproximou lentamente de mim, olhou fundo nos meus olhos e me deu três beijos com a mais extrema ternura. Um na boca, um na mão esquerda e outro na mão direita. Eu estava sem reação. Ela andou em direção a porta e trocamos pequenos sorrisos. Antes de sair ela me falou por uma ultima vez:
-"Quero aparecer em um dos teus livros!! E, por favor, me chame de Isabel!". E fechou a porta.
Ela se foi, fazer o que. Assim que as coisas funcionam, não? Bem, mas eu só digo uma coisa. Nessa noite eu dormi na sala e não tranquei a porta...