A beleza que vemos na Natureza permite imaginar uma hipótese interessante.
A contemplação da Natureza e alguns outros momentos bem específicos da vida tem um grau de sublimidade que vai além das nossas experiência habituais.
Bom, a hipótese é a seguinte.
E se a beleza que vemos na Natureza for o fascínio que ela tem ao ver ela mesma?
Somos partes integrantes desse sistema, mesmo se negarmos piamente e mesmo se aceitarmos os doze mil de anos de filosofia eurasiana que prega a dicotomia homem/natureza, somos parte dela sim.
E nós somos parte dela.
E ela é parte de nós.
E nós somos a mesma coisa.
E quando eu a vejo ela se vê.
E ela vê o quão bonita ela é.
E eu tenho a sensação de contemplação mais maluca do mundo.
Sei que olhar a extensão do Oceano Atlântico de cima dos rochedos de Imbituba não foi uma experiência pura e simplesmente dos meus olhos, nervos e sinapses. Muito menos admirar diatomáceas num microscópio. Muito menos ver a terra vermelha de Minas e suas colinas. Muito menos ver os campos de cima da cerra com suas araucárias e sua imensidão de terra verde e limpa e infinita. Sei que não era só coisa dos sentidos me abrigar embaixo de uma cachoeira em Maquiné, nem correr nas areias brancas de Florianópolis, muito menos acordar e me perder naqueles olhos azuis-escuros...
A beleza da Natureza vai além do mero sistematismo científico e da percepção fria das coisas.
sábado, 3 de maio de 2014
domingo, 27 de abril de 2014
Coração Ocidental
I
Nada como um dia de toca
Nada como os pés descalços
Nada como um dia de folga
Nada como um café quente
Com o corpo jogado no canto
E a cabeça longe da gente.
II
Caminhando pela cidade
percebo que já era obviedade.
Que eu, mesmo sem pensar,
sou muito ruim em lidar
com essa recém-adquirida Liberdade.
segunda-feira, 24 de março de 2014
Nomeclatura Rebuscado-Bioquímica Associada ao Ambito Social e Sentimental
Amores fisiológicos
Lealdades anfipáticas
Labores robóticos
Coerções alostéricas
Imposições cáusticas
Verdades elétricas
Ócios sobrenadantes
Comércios infecciosos
Apoptoses constantes
E pra manter a pose
Em nome da ciência
vou deixar a referência:
RIGOTTI, 2014
domingo, 23 de março de 2014
Olhando para trás...
Faziam mais de meses que o rapaz estava de namoro sério com a ex-ficante de um amigo dele. Segundo todas as fontes oficiais, o termino dos dois tinha sido tão abrupto e esquisito quanto o começo do relacionamento. Com o lance rompido, a garota estava livre para viver o amor que quisesse, e encontrou no amigo de seu antigo rapaz a sua alma gêmea. E os dois formavam um dos casais mais felizes da face da Terra.
Um dia os dois amigo se reencontraram. O rapaz encontrou seu amigo sentado quieto e taciturno em um banco na praça, fumando um cigarro barato de papel. Ele já presumiu o que se passava na cabeça do amigo, e não entendeu... Não faziam meses que eles tinham terminado? Ele já não tinha lhe falado um milhão de vezes de como o relacionamento dos dois era complicado? Porque diabos haveria ele de estar com aquela cara amarrada e aqueles olhos pesaroso?
O amigo olhou para o rapaz e falou:
-Pois é, meu caro... Ontem resolvi parar e olhar pra trás...
-Como assim? -responde o rapaz-
-Sobre tudo, sobre as paradas, sobre a Solidão, essa linda...
-Ainda não saquei...
-Então cara, ontem resolvi parar um pouquinho pra pensar, e cheguei numa conclusão interessante! É meio bad, mas quer ouvir??
-Ah, manda!
-Olha, é até bonito de falar. Cheguei a conclusão de que "estamos sempre sozinhos. E que, na Escuridão, até nossa sombra deixa de nos acompanhar!" Bonito, não??
-Bah, pesado!
Depois do dialogo o rapaz só viu seu amigo dar uma risada breve e uma longa tragada no cigarro. Nisso tudo fez sentido. Ele não sentia falta da garota, ele não estava com ciúme, com inveja ou com algum outro sentimento baixo desses, ele era esclarecido demais pra isso! Ele estava sozinho, pura e simplesmente, ele estava sozinho e sentindo falta do que poderia ter acontecido... E agora ele estava lá, desabafando. Desabafar é bom, sempre. Desabafar sobre a tristeza é como fumar um daqueles cigarros de papel baratos. Você pega o teu desconforto, ateia fogo nele, e aquilo te faz mal enquanto desaparece em fumaça, até sumir por completo e pra sempre!
Um dia os dois amigo se reencontraram. O rapaz encontrou seu amigo sentado quieto e taciturno em um banco na praça, fumando um cigarro barato de papel. Ele já presumiu o que se passava na cabeça do amigo, e não entendeu... Não faziam meses que eles tinham terminado? Ele já não tinha lhe falado um milhão de vezes de como o relacionamento dos dois era complicado? Porque diabos haveria ele de estar com aquela cara amarrada e aqueles olhos pesaroso?
O amigo olhou para o rapaz e falou:
-Pois é, meu caro... Ontem resolvi parar e olhar pra trás...
-Como assim? -responde o rapaz-
-Sobre tudo, sobre as paradas, sobre a Solidão, essa linda...
-Ainda não saquei...
-Então cara, ontem resolvi parar um pouquinho pra pensar, e cheguei numa conclusão interessante! É meio bad, mas quer ouvir??
-Ah, manda!
-Olha, é até bonito de falar. Cheguei a conclusão de que "estamos sempre sozinhos. E que, na Escuridão, até nossa sombra deixa de nos acompanhar!" Bonito, não??
-Bah, pesado!
Depois do dialogo o rapaz só viu seu amigo dar uma risada breve e uma longa tragada no cigarro. Nisso tudo fez sentido. Ele não sentia falta da garota, ele não estava com ciúme, com inveja ou com algum outro sentimento baixo desses, ele era esclarecido demais pra isso! Ele estava sozinho, pura e simplesmente, ele estava sozinho e sentindo falta do que poderia ter acontecido... E agora ele estava lá, desabafando. Desabafar é bom, sempre. Desabafar sobre a tristeza é como fumar um daqueles cigarros de papel baratos. Você pega o teu desconforto, ateia fogo nele, e aquilo te faz mal enquanto desaparece em fumaça, até sumir por completo e pra sempre!
terça-feira, 11 de março de 2014
Biologia-II
O Sol quente caindo pela janela,
E os mosquitos picando a canela...
O tédio completo alcança níveis excruciantes
E as certezas de agora divergem das de antes
A caminhada é longa
A rotina é uma outra
A comida é pouca
E o vento sopra contra.
Prefiro acreditar na força dos meus braços
E no passar dos dias
Pra fazer brotar vida nestes solos escassos.
A força dos ideais sempre ressurge,
mas é complicado andar descalço na urze
para quem passou vida inteira na urbe.
O homem moderno tem ideias muito erradas de o que é a Natureza. Para o homem urbano é fácil encarar ela com desprezo ou com fascínio, pois é algo abstrato a sua realidade cotidiana. Só digo que é perigoso ver ela como um paraíso na Terra...
Mas sou um hipócrita ao falar isso...
Por que ainda vejo tudo sob filtros românticos
Vendo equilíbrio e sílfides e cânticos
Onde na verdade só tem mato...
Lá precisa-se perder o tato
os gostos e confortos
a viver como os Espartanos.
Mas não adianta...
Passam-se os dias
Passam-se os anos
E eu continuo russeauniano!
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
Biologia
Prefiro mil vezes o berro de um quero-quero
Do que os cromados do teu carro zero.
Prefiro o mato agreste e a erva daninha
Ao teu frívolo refrigerante de latinha.
Prefiro lavrar a terra batendo enxada
E caminhar longas e belas trilhas
Aos ruídos das tuas academias,
Onde as pessoas correm paradas.
Prefiro comer bergamotas em julho
À comer essa tua química,
(ou deveria chamar de entulho?)
Não quero o tua sala com ares condicionados.
Quero a música dos artrópodos, dos ventos
e dos pássaros, dos mais ancestrais bardos.
Prefiro ter a cara queimada de Sol
E os braços fortes de quem vive na labuta,
À viver cercado de confortos e mentiras,
Pois sei que estas são ignotas e malignas!
E sei que minha espécia é talvez a única
Que deliberadamente opta em prol
De somente agir como dizem as linhas.
Não se firme às suas certezas, meu jovem
Eu sei quais são seus anseios e necessidades.
E sei que tu pode encontrar a plenitude
(o amor, a paz, o equilíbrio e a virtude)
Estando longe dos falsos confortos
Dos desnecessários confrontos
E de todos esses outros vícios e malefícios das cidades.
Não acredito na dicotomia homem/natureza, acho que estamos realmente integrados aos sistemas da Terra e toda sua dinâmica. Estamos fazendo o que qualquer espécie faria, estamos nos reproduzindo e consumindo recursos. O problema é que qualquer população que passa por um período de crescimento abundante e consome todos os recursos acaba extinta... Quanto tempo demorará para o planeta Terra repita a história que ocorreu na Ilha de Páscoa?
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Bloqueio Criativo
Nada sai de inovador
Nada que valha a pena
Vários textos na gaveta,
Ametábolos
em matéria de esplendor...
Mas também, o que que eu espero?
Virar um Eddie Vedder?
Andar sob um Hard Sun que não me atinge?
Ou, por falta de esmero,
virar um Paulo Leminski?
Ídolos, símbolos
Ideais; Improfícuos
O que eu tou fazendo?
Nada disso é talento
Nada disso é novidade
Sou só um piá de dezessete
Escrevendo na internet
mas com a cabeça em Marte.
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