terça-feira, 19 de junho de 2012

Apagado

De que adianta?
Alguns bons anos de existência respirante na Terra e nada. Não apto a atividades que requerem envolvimento profundo, dedicação ou sangue frio relativo.
Tu vai se feliz com ele! Sim, sim, sim. Vocês dois formam um belo casal! Mentiras pra mim mesmo, mim mesmo, mim mesmo. Uma vez foi assim. Duas vezes foram assim. Agora, meus estimados irmãos, a terceira...
Sempre se há outra opção. O guri é imaturo, não tem sangue nos olhos, sangue nas guelras, sangue nas veias. O guri não reage quando agredido. O guri fica culpado por querer as coisas. Como alguém que não se valoriza vai me valorizar?

Apagado, inerte, bosta n'água. Minhas feridas não amarelaram, não vão sarar. Estou subindo as paredes e gritando às brisas da maresia no meio da rua!

Não nasci pra ver o mundo pegar fogo...

Ela vai ficar bem com ele. Nunca vou fazer bem a uma mulher mesmo...

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Prova de Literatura

Era uma manhã de inverno em Desterro. Aula, normal. Não dá pra mudar o fato de eu ser um moleque fracassado de ensino médio...
Penúltimo período da aula da manhã, professora de literatura ia entregar a provas corrigidas.
Lembrei da prova. Caia coisas sobre Modernismo de 22, mais especificamente uma análise do livro "Amar, Verbo Intransitivo" do genial Mário de Andrade (porque ela não cobrou Macunaíma, porque?!?!). A segunda questão discursiva pedia pra explicar o porque do nome do livro. Amar era verbo transitivo... E eu ia saber??? Em todos esses anos de colégio as aulas de gramática entraram por um ouvido e saíram pelo outro com uma destreza tremenda!
Se eu tentasse responder sério e enrolando, eu errava. Se eu deixasse em branco, eu errava. Resolvi ser criativo!

Professora entrega a prova, li denovo minha resposta genial!:
-"Oh, amores e gramática, duas imensuráveis incógnitas na minha cabeça!"
Do lado dela tinha um número zero bem simples escrito. Mas a professora, uma baixinha gorda, extremamente inteligente e lá com seus 35 para 40 anos, deixou uma notinha de rodapé na minha resposta!
-"Poético!"

Termina a aula, ia filar boia em casa. Saí na rua, estava menos frio, coloquei o MP-Coiso nos ouvidos. Fiquei andando ouvindo Vaccines.

I'LL WATCH YOU RISE ON MY BACK FROM THE GROUND!

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Porque Desisti de Você

Desisti, essa é a palavra. Sangue de barata. Ratos, baratas, urubus e outros zoomorfismos da ideia de covardia. Pela falta de coragem o urubu come carniça, já diriam os velhos!
Um ano de solidão. Vivi a embriaguez daninha e o sonho de febre, provações ridículas para alguém normal, mas pesadíssimas para um guri de ensino médio. E eu te conheci depois da estrada!
Um ano sem urbes amadas. Volto para Curitiba num feriado pra relembrar os velhos tempos. E te conheci...
Voltei pro meu exílio, meu desterro, com tu na memória! Como num filme ruim, mantive contato contigo, e tudo parecia ser promissor! Sonho de febre! Por duas semanas, hoje desisti...
Neste exílios atenuados criei uma ideia errada. Larguei mão dos amores vãos. Não pergunte a mim sobre histórias de amor, é inócuo, improfícuo em suma, não sou capaz de amar mulher alguma e provavelmente não há mulher capaz de amar-me, Augusto dos Anjos falou alguma coisa desse gênero... Achei que a soedade me traria sobriedade, não trouxe. Mas me acostumei com essa ideia, fiquei relativamente confortável. Só um motivo me faria sair dessa zona de conforto maluca...
Em horas de pira criei uma imagem mental. Uma guria inteligentíssima, uma paisagem de inverno curitibana. Ela era sossegada, leve, sem pressões malucas e protecionistas de um relacionamento-padrão, só a presença e a companhia bastaria. Estaríamos nós dois sentados (Praça do Japão, provavelmente) falando sobre arte, desenhos, música. Fleet Foxes!!
Daí te encontrei, e vi em ti a personificação dessa imagem. Leve, doce, simpatiquíssima. Nossos planos rimavam, rima rica ainda! Ai, que erro. Me vi preso de novo em musas laureadas e platonismos adolescentes... A guria sutil-artista-que-escuta-Fleet-Foxes...
Mas o inesperado! Um amigo meu te ama! Daí me vi numa competição. Me senti mal por isso, profundamente mal. Odiaria entrar numa justa pela mão de uma donzela (exemplo ridículo)... Ainda mais se essa justa for com um grande amigo meu...
A guria que escutaria Fleet Foxes comigo num dia frio não existe. A guria que dividiria o apartamento poleiro-urbano comigo não existe. A namorada não-psicótica e não-ciumenta
Desisti, esse é o ponto. Não vai ser de um dia pro outro que o Urubu vai virar Leão! Mais fácil seguir minha vida quieto... Tou em outra cidade mesmo... Ver os dois felizes juntos vai ser bom... Vou ficar feliz com ela feliz... Assim eu não atrapalho ninguém... Isso tudo são mentiras, mas acalmam meu coração.
Colocar uma razão moral, assim pareço até um asceta... Buscar purificação pela dor! Tou cuspindo na cara do Nitchê mesmo! Essa é a situação mesmo...
O Urubu continua sentado no poleiro vendo a vida dos outros acontecer. Quando se sente sozinho, o Urubu desce pra gritar no ouvido de alguém. O Urubu nunca vai ser Leão!

En temps de guerre est le vautour de poulet...


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Os Poetas Necromantes e Outras Pessoas que Conheci em Maringá

Maringá é uma cidade errada... Uma vila perdida num descampado na beira do Trópico e que, na cagada, virou a terceira maior cidade do Paraná! Lá o calor é quase sempre constante, em dias úmidos a neblina é pesada e tu não consegue enxergar um palmo na frente do nariz e a cidade toda parece ter surgido do nada e colocada lá artificialmente. Não é um lugar onde eu voltaria a morar...
Porém Maringá me reservou surpresas agradabilíssimas. Lá conheci uma meia-duzia de pessoas que literalmente salvaram minha vida e minha sanidade! Vou citar brevemente duas e profundamente outras duas.
Lorelai era uma menina doce e inteligentíssima. Pelo colégio (um colégio marista típico, retratos de Marcelino Champanhat e corredores velhos) falavam que nos dois eramos fisicamente muito semelhantes, coisa que eu nunca concordei plenamente. Hoje Lorelai tá em São Paulo, cursando moda... Outra pessoa que sempre me vem a memória é Júlia, filha de libaneses, era amiga da Lorelai... Faz um tempinho que não tenho notícias dela...
Mas, não adianta. Vou me aprofundar em duas pessoas que foram extremamente próximas! Uma era Varvara, com todo esse requinte eslavo e dostoévisko. Varvara era meio macho e preferia as mulheres. Varvara era mais macho do que eu!!! Ela viveu histórias complicadas e confundíveis, mas foi um ouvido aberto para a maioria das minhas piras erradas e memórias sentimentais! Cantávamos Raul, falávamos mal do funcionamento do colégio, das gurias aleatórias e da artificialidade daquele ambiente todo! Ela era de Cascavel...
Outro personagem que foi importantíssimo nessa minha passagem por Maringá foi um japa. Vou citar ele aqui somente pela alcunha de Japa. O Japa ouvia Pink Floyd e jogava BioShock e comecei a falar com ele no primeiro dia que pisei naquele colégio. O que houve foi a criação de uma mini-sociedade filosófica naquele colégio! A pira era sempre constante e errada, intercalando discussões sobre sociologia, análises de músicas e debates sobre Zelda!!! O Japa se criou em Brasília, e hoje mora com os avos e cursa o ensino médio em Maringá. Engraçado foi ver a troca significativa de filosofias que tivemos! O Japa me ensinou a amar a Estrada, a Viajem, a Liberdade e a Independência. Na mesma medida ensinei a ele o Cinema, a Pira Errada, o Desvairismo e todas essas correntes de fluído constante que só passam na cabeça de quem não pensa direito. Ao invés de absorver a serenidade oriental do cara, acabei passando pra ele a meu exagero latino...

Nas atuais condições:
-Lorelai: Mantenho contato ativo com ela. Planejo uma viajem para São Paulo pra ver ela denovo!
-Júlia: Sem notícias recentes...
-Varvara: Faz um bom tempo que não converso com ela, porém ela meu Augusto dos Anjos tá com ela e preciso reaver-lo!
-Japa: Atualmente o cara tá virando um poeta beatnik, um exemplo vivo de como mesclar arte erudita e pira errada!

Como pessoas maravilhosas assim foram surgir numa cidade tão horrível?

domingo, 29 de abril de 2012

Curitiba em Janeiro- Parte VI (Maná dos Deuses Astronautas)

(...)

Acordei de susto com uma mensagem no celular!
Caralho, eu capotei e acordei agora! Nem senti o sono. E o sol já entrava forte pelas janelas!
Parecia que eu tinha mastigado um chinelo! Li e mensagem. Era do Messias
"Cara, me encontra na frente da empresa as 11:45."
Tinha que almoçar com ele... Ia ser a refeição sagrada pra viajem de volta! 
Eram 09:00... Resolvi dormir denovo...
10:40!!! 
Acordei desesperado! Os guris tavam dormindo no outro sofá! Me mexi rápido. Peguei minhas coisas. Me despedi de Isaac e Marvinícuis. Avisei que talvez aparecesse no apartamento dele depois. 
Saí correndo até chegar ao longo da longínqua Brigadeiro Franco!
Mal tinha acordado, nem tinha comido, agora ia almoçar. Essas rotinas em época de férias fazem mal pra cabeça de qualquer um... Andando meio perdido um cara me parou na rua. Fez um discurso bonito, falando sobre a demissão dele e me pediu comida... Virei minha mochila e dei minhas duas ultimas barrinhas de cereal. Acho que fiz a boa-ação do dia...
Continuei seguindo pela Brigadeiro. Passei o centro comercial, passei o super-mercado, passei a Kennedy. Ta lá o Messias! Apressei um pouquinho o passo e alcancei ele.
Fase do Refinamento: Onde vamos almoçar hoje?
Entramos num restaurante e quilo passando a Kennedy. Sentamos numa mesa, fomos nos servir.
Eu estava faminto! Cinco dias sem comer descentemente, vivendo de lanches e comida da mochila. No buffet servi um prato de estivador ou de pedreiro! Não lembro o peso que apareceu na balança, só lembro de ter pego tanta comida q fui passado pro buffet livre! Aí sim!!! Daí comi feito um frade, comi feito um rei, comi feito um porco, comi feito um filho-da-puta!!!
Tirei meu estômago da miséria. Certeza que emagreci uns bons quilos nessa viajem... Messias até se assustou com minha voracidade. Foi um momento reconfortante e alegre. No caixa dei o meu ultimo dinheiro trocado. Cash zero daqui pra frente. Minha viajem estava no fim. O ônibus ia sair daqui a duas horas.
Me despedi do Messias. Saí andandinho. Rodoviária não era tão longe assim, mas era uma caminhada...
Por abiogenes neuronial ou por pira mesmo, resolvi ir na casa do Marvinícius antes de sair! Mudei um pouco a rota e passei no apartamento dele. A vó dele ia chegar de viajem naquela tarde ainda. Conversamos rápido, uma última despedida. Ele disse que ia dar um jeito de passar um tempo lá na Ilha do Desterro. Ele me deu um pacote de bolachas e uma garrafa d'água. Me despedi com um abraço forte e seguí até a rodiviária sozinho.
Andando até lá olhei um muro na metade do caminho. Tinha pixado lá a frase "que a força esteja contigo"!!! Que animo que aquela frase diretamente aliterada do Star Wars me deu uma alegria gigantesca.
Cheguei na rodoviária. Plataforma interestadual. Desta vez não me atrasei.
O ônibus saiu. Tirei o On the Road da mochila, ia terminar ele no ônibus! A viajem seguiu, e parecia que eu tava num vórtice temporal, seilá. O tempo não passava. Podia passar minha vida inteira lá, lendo, bebendo água e comendo as bolachas de Maná sagrado que nunca acabariam!
Me perdi nas distâncias, não vi as cidades, morros e fronteiras e linhas imaginárias que dividem a terra em pedaços. A viajem duraria para sempre...
O sol caiu, estava nos últimos caítulos do On the Road. Sal Paradise já estava com febre no Mexico.
Já via as luzes subindo os morros da ilha. Já via a ponte. Desterro já se mostrava.
Voltei dessa viajem mais magro, mais feio, meu cabelo enroscado e a sola dos meus pés mais grossa.
Agora estava dentro da Ilha. Comi todas as bolachas que sobraram. Um banquete cerimonial. Sentei num banco da rodoviária. Terminei o On the Road...
Segui pra casa.
Agora era Desterro. Uma vida nova? Uma pira diferente?
Agora a rotina voltava. Preciso voltar pra CuriCity qualquer dia desses.



domingo, 15 de abril de 2012

Curitiba em Janeiro- Parte V (Igreja Mundial do Poder de Thor)

(...)

Eram umas 06:20, ou menos... Era cedo pra caralho... Messias me chuta na perna pra eu acordar. Me acordei, olhei pra cara dele e achei que ele tava me zoando, dormi denovo... Messias me chuta na perna pra eu acordar... Daí eu lembro que o vagabundo de férias lá sou eu, e não ele... Me levantei, arrumei as coisas que tinha tirado da mochila e só naquela hora lembrei que o Messias tinha que ir pro trabalho, e por isso tinha me acordado (Céus, eu tava muito zonzo...)
O pai do Messias dava carona pra ele até o serviço. Messias trabalhava como recepcionista e quebra-galho numa empresa de paredes de gesso, era um empreguinho sossegado, ficava sentado a tarde inteira atendendo telefone, fazendo cálculos e contas, lendo HQ e jogando num emulador de SNES no computador da firma.
Chegamos lá. Nos despedimos e agradecemos a carona. Messias destranca o portão da empresa. Puxa o pesado rolete de ferro até alto e mantém assim. Começava o serviço... Os chefes do Messias só chegariam as 09:30, eram 08:20, eu decidi ficar lá até 09:15, tinha combinado de encontrar FracoFranco no centro, iriamos almoçar juntos...
Zanzei pelos sofás do show-room da empresa. Preparei um café forte, conversei sobre aleatoriedades. Foi engraçado ver o Messias todo comprometido atendendo o telefone:
-"Thiago, DW, Boa dia."
A hora deu. Os patrões estavam chegando. O projeto mal-feito de mochileiro vagabundo tinha que sair de dentro do Escritório, do Templos da Labuta! Dei um forte abraço no Messias, disse que queria vê-lo no dia seguinte, fazer um almoço descente e recolher a toalha que eu tinha esquecido na casa dele!
Segui pela Comendador Franco, segui reto. A caminhada até o Centro era longa, longuíssima!!! O sol estava com a intensidade fosca comum das 09:00. A Comendador era uma imensidão amarelada, mas eu me sentia só... Olhei ao meu redor enquanto andava, nenhuma pessoa! Não existiam criaturas humanas naquela rua!!! Só haviam carros e cachorros. A rua era minha, o único bípede. Lembrei da Putinha do Orwell, lembrei de 1984, Winston era o Último Homem da Europa e eu o Último Moleque da Euro-América Lusófona!!!
Cheguei mais perto do centro e os subúrbios começavam a ficar mais densos. Estava denovo perto de onde eu morava... Estava realmente cansado...
Entro na região onde morava. Chegar no Centro agora era fácil e simples e, como diria Lemisnki, conhecia aquela parte da cidade como a palma da minha pica!!!
Depois de um caminhada cheguei na Comendador Araújo!
O Centro de CuriCity é um dos lugares mais lindos e estéticos que eu já conheci! Os restaurantes e pastelarias dos chineses, os praças com pombos e ônibus, as pessoas andando em direção aos seus empregos passando por perto dos postes que tentam imitar lampiões do século XIX! CuriCity é a concentração urbana que mais me encantou!
Caminho por aquele labirinto conhecido. Lembro de conversas com amigos, beijos errados, filosofia barata, quentão no Inverno com amigos, o panorama frio e nublado e ventante que aquela região me lembrava. Mas agora era verão, parecia bem mais normal. Nesse clima atravesso a praça Osório, a Boca do Brilho e resolvo sentar nos bancos do Calçadão da XV! O lugar mais lindo de Curitiba! Sentei, liguei pro FrancoFranco e tomei um chá em lata que tinha guardado na mochila! Esse momento de introspeção tonta sob o sol ficará na minha cabeça pra sempre!
Estava combinado, encontraria FracoFranco na livraria do Shopping Curitiba e daí iriamos pro Montanha!!! A mochila estava pesada, e eu não sabia onde ir dormir essa noite!!! Resolvi voltar pro Água Verde e pirar no Shopping Curitiba antes do FracoFranco chegar! Fui numa das livrarias, fiquei lendo e vendo as piras que nunca poderia comprar e também liguei pra minha mãe, avisar que amanhã já estaria devolta em casa e que estava bem!
Nesse meio-tempo resolvi dar um abraço no Marvinícus! Não via ele dês da festa do sábado! Caminhei um tanto e cheguei no apartamento dele, o Antigo Eixo!!! Bons tempos de lego, Dead Space, música e pira!!!
Entro no prédio (o porteiro ainda se lembrava de mim!!!) e subo o elevador. Encontro ele recém acordado, ouvindo música no computador! Deixei minha mochila e minhas sacolas lá e me sento semi-exausto no chão do quarto dele. Pra relembrar os velhos tempos ficamos lá, falando sobre vida alheia, tocando violão e bandolim. O Eixo podia estar vivo...
Combinei com ele, iriamos nós dois dormir na casa do Isaac Rhovanion (Tenho Dívidas). Tive que sair encontrar FracoFranco. Abracei Marvinícius e disse que depois viria buscar minhas coisas.
Encontrei FracoFranco na livraria. Decidi sacrificar uma parte do meu dinheiro pra comprar um livro (Alice no País das Maravilhas). Seguímos nós dois andando sobre o sol de meio-dia da 7 de Setembro, matando as saudades dos velhos tempo!
Chegamos no Lendário Montanha! A lanchonete azul oriental de esquina que tanto nos salvou da fome do estômago e do frio da solidão! Pedimos os clássicos pro senhor oriental do balcão! Genial a ideia daquele velhinho do Nirrôn de abrir aquele lugar! Comemos discutindo aleatoriedades, falando sobre nossos fracassos com garotas (FracoFranco era tão azarado quanto eu, haha). Quanta alegria e pira naquele balcão estreito! Comendo o Xis-pastel e tomando gasosa, foi um almoço lindo, como a tempo eu não tinha!!!
Tinha combinado de encontrar João, Yurie Oda e Golias Macedo (Outro Gigante Amável) na praça Oswaldo Cruz, arrastei FracoFranco pra lá. Porém antes fomos na casa do Salvatore Garibladi (Uma Napa de Respeito).
Descemos a rua onde eu morava, Salvatore era praticamente meu vizinho. Subimos no apartamento e ele atendeu a porta com o irmãozinho mais novo no colo, um bilisqueta de um aninho e pouco. Depois sentamos no quarto dele. Salvatore era um nerdão dos computadores! Um homem das máquinas e das ciências exatas, jogava RPGs online. Foi uma alegria conversar nerdice e aleatoriedade com aquele cara que foi meu amparo e companhia em tantas decidas de rua depois da aula!!! Ficamos lá nos três sentados discutindo sobre Portal 2 e Final Fantasy. Mas o tempo era curto! João, Yurie e Golias nos esperavam... Arrastei FracoFranco junto comigo e me despedi de Salvatore com um grande abraço!
Foi um momento realmente divertido. Um revival das sextas-ferias sempre fodas com o João e os brothers metaleiros dele na Praça Oswaldo Cruz!!! Não tinha coca, não tinha comida, tinha só a gente pirando, falando mal de bandas comerciais, comentando literatura e filmes e deixando a tarde passar!
O sol começou a descer, Yurie com aquele sorrisinho oriental se despediu, Golias também entrou num ônibus e foi pra casa dele. Ficamos eu, João e FracoFranco sentados. Achamos um jornal duma igreja evangélica maluca e começamos a ler os "milagres" em voz alta, em som de troça! Foi uma cena linda e antológica!!!
Encontramos Marvinícius e Isaac. João e FracoFranco entraram nos ônibus e voltaram a suas casas.
Encontramos Rei Felipe e fomos com os amigos dele num restaurante árabe. Meu dinheiro estava curtíssimo e por isso resolvi não comer nada. As luzes da cidade já estavam acessas. Voltamos pra praça Oswaldo Cruz. Estar com os amigos do Rei Felipe era diferente de estar com os amigos do João, era um pessoal mais velho que eu, mais maduro e menos receptivo a moleques xaropes tipo eu...
O tempo passou, fui na casa do Marvinícius pegar minha mochila. Nos juntamos a Isaac e fomos até o apartamento dele. Subimos o elevador daquele prédio típico da avenida Iguaçu, entramos na porta deschaveada da cozinha. Era um apartamento meio sombrio, cheio de quadros antigos, tapetes grossos, fotos de ancestrais da família... O pai dele nos olhou com antipatia, pediu pra não destruirmos a casa, e foi dormir...
Ficamos nós três na sala. Roubei uma banana na cozinha (estava morrendo de fome...) e Isaac tentou organizar uma mesa de RPG. Não deu certo... Isaac era um péssimo narrador, eramos poucas pessoas. (Em Los Infiernos as mesas de RPG eram muito fodas...). Resolvemos ligar o video-game. Joguei um pouco de BioShock, me dentei num dos sofás. Pesquei.
Pesquei.
Cochilei.
Dormir
pesadamente...

(...)

segunda-feira, 26 de março de 2012

Porto Alegre

Em Porto Alegre o mato e as ervas crescem no meio das avenidas, o sol e o céu tem um tom diferente (sem motivo aparente), as ruas são amplas e cheiram a umidade e as luzes da cidade cintilam como estralas...